Alentejo e Galicia, joias escondidas da península Ibérica que não podem ser esquecidas

Em marco desse ano me reuni com várias pessoas na região do Alentejo e da Galicia, e durante as reuniões me convenci que tinha que tirar uns dias para explorar tudo que me mostraram. Foi o que fiz nesses dez dias.
Nos últimos três meses me dediquei a estudar a região, sempre buscando além do obvio, já que nosso objetivo e sempre surpreender nossos viajantes com lugares e experiencias diferentes, tornando a viagem mais interessante, alem do que todos fazem e oferecem.
Embarcamos num voo direto de São Paulo para Lisboa, chegando pela manhã e já se deslocando ate o Alentejo em carro. Fiz a locação na locadora Sixt, que me surpreendeu de forma positiva em alguns pontos, porém negativamente no que diz respeito a segurança da transação da locação, pois como de praxe, sempre que locamos um carro nos deixamos um cartão de crédito para extras, e justamente ai clonaram meu cartão – coincidências ou não, logo que sai da locadora, o cartão que deixou começou a ser usado para operações de compras na Europa. Ainda bem que temos o antifraude, que me alertou e na mesma hora bloqueei o cartão. Ai você vai perguntar, e qual foi a experiencia positiva? Veja mais abaixo, já que fiquei satisfeito com a solução dada para meu problema.
A região do Alentejo, em Portugal, é conhecida por suas paisagens deslumbrantes, rica cultura e deliciosa gastronomia com um destaque especial para a parte histórica nas cidades abaixo:
Monsaraz: Uma vila medieval com vistas espetaculares sobre o Lago Alqueva.
Claro que além da história, outros atrativos despertam e nos deixam mais aguçados, como a gastronomia, as belas paisagens naturais e as tradições locais que são muito parecidas com as nossos do Brasil. Confira um pequeno relato da impressão que tive.
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Experimente pratos típicos como a "açorda", "migas" e o "porco preto".
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Visite vinícolas para degustação de vinhos alentejanos, como os da região de Vidigueira e Alqueva, mas esse abordarei com mais detalhes uma vinícola que amei e que recomendo com olhos fechados, fora do obvio mais que tem conquistado premios e se destaca na Europa hoje.
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Parque Natural do Vale do Guadiana: Ideal para caminhadas e observação de aves.
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Lago Alqueva: Perfeito para atividades aquáticas e passeios de barco.
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Participe de festivais locais, como as festas de São Martinho e a Feira de São João.
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Visite artesãos que produzem cerâmica e têxtil.
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Caminhadas e passeios de bicicleta pelas muitas trilhas da região.
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Observação de estrelas no Lago Alqueva, conhecido por seu céu limpo.
Super bem instalado, meu hostess e gerente do hotel, Gonçalo mostrou todas as facilidades da suíte, mas o que me conquistou foi o teto em vidro com vista para as estrelas, justamente no ambiente da cama de casal – claro que a noite favoreceu e dormir sob a luz das estrelas foi delicioso, além de ter me energizado da viagem e me preparado para uma semana intensa de atividades, mas antes disso, claro que tivemos um perrengue básico
Já pela manhã, no 2º dia de viagem, partimos para explorar o centro histórico de Evora, visitando cada esquina da cidade murada, degustamos iguarias dos bares locais e escolhemos para almoçar o delicioso porco com miga, um prato muito bem preparado e delicioso. Como meu objetivo da viagem era sair da caixa, dali fomos visitar uma das vinícolas mais tradicionais da região, a Cartuxa, onde degustamos alguns vinhos com a assistência do Joao, enólogo, nos direcionando e harmonizando ada um dos sete rótulos por uma viagem deliciosa aos sentidos.
Feito um check por la, partiríamos para uma imersão sensorial para uma das vinícolas que tem conseguido um destaque no mercado europeu, além de ter conquistado vários prêmios com seus vários produtos e forte presença no mercado, além de um enólogo e proprietário audacioso e criativo, resultado de vinhos únicos – a Fita Preta.
Fui recebido pela gerente do enoturismo da vinícola, muito simpática e prestativa, que me levou para fazer uma visita completa pela produção e pelas adegas, cheias de vinho envelhecendo e outros sendo engarrafados. Em meio a visita, por ser um edifício histórico e antigo, conheci um pouco da história e vi varias áreas em um processo de revitalização de afrescos e de investigações arqueológicas, uma vez que ainda há no local uma antiga capela em revitalização de afrescos do século 14, bem como outras partes já revitalizadas e preservadas para manter a historia e a importância arqueológica do local.
Hoje, a Fita Preta começa a receber viajantes para seu mais novo restaurante, além das tradicionais degustações na loja da vinícola, o que fizemos com louvor, degustando 15 rótulos, onde cada um era uma surpresa em questão de aroma, cor e paladar. Realmente a fama faz jus aos produtos produzidos por eles.
Hora de voltar para o hotel e preparar a mala para nosso próximo destino, logo ali em cima na península Iberica. Na manha seguinte, as 06h15 meu voo partia para Santiago de Compostela, via Madrid. Uma rápida conexão de voo, me separava de um dos lugares que a muito tempo queria conhecer, não so pela curiosidade espiritual, mas também pela histórica, afinal de contas a Galicia e uma das regiões poucos exploradas e faladas no Brasil, e fui ate la para descobrir suas joias e trazer para nosso portifólio o que os demais ignoram ou esquecem de mencionar como um dos lugares mágicos para se visitar na Espanha,
Chegando em Santiago, depois dessa rápida conexão em Madrid, me dirigi a outra joia local, também da Relais Chateaux, o Quinta da Auga, uma antiga edificação do século 19 abrigava uma fábrica de papeis que fora comprara por um casal audacioso que transformaram um edifício em pedra em uma casa longe de casa, com fortes características medievais, porém com uma áurea e alma em cada detalhe da propriedade.
Um pedagogo e uma arquiteta visionaria, a simpática Sra Luiza, empreenderam na transformação de uma papeleira num hotel que a partir de então, se tornaria um marco na região. Foram mais de cinco anos de recuperação e muito trabalho, muita pesquisa e investimento de conhecimentos técnicos aplicados num sonho para oferecer aos viajantes que ali visitariam um ambiente acolhedor, rico e com uma alma sentida no momento em que se chega.
Acomodado num terceiro piso, lindo com uma vista para a mata em volta, me dediquei a me preparar para as atividades na região, anotando o que faltava por no itinerário mas ao mesmo tempo alinhando as visitas com o Pablo, nosso receptivo local que foi responsável pela minha programação para aqueles dias.
Na manha seguinte, estaria com a Nuria, uma guia do time do nosso parceiro local da Galicia, Pablo, que nos apoiou em tudo para que conseguissemos explorar a Galicia e conhecessemos o que eles tem de melhor. Tambem e um daqueles casos de parceria perfeita. Fomos apresentados por uma amiga em comum, Maria Ferrer, que fez essa ponte entre as duas empresas e que desde marco trocavamos ideias e analisavamos as melhores atracoes, rotas e caminhos para podermos explorar a Galicia genuina e autentica, longe dos achismos e dos cliches turisticos comuns de varios sites e guias.
Casais jovens, de meia idade e idosos, grupos de amigos, pessoas sozinhas, bem-vestidas e outras nem tanto, caminhando por uma causa ou objetivo, religioso ou não, mas com um so objetivo – chegar a catedral de Santiago.
Nesse trecho cheguei ao Paco do Faramello, uma construção as margens do caminho português do século 18, antiga residência da família Piombino, esse local abriga um acervo incrível de história e de costumes da região, onde ate hoje membros da família recebem visitantes para mostrar sua capela, fabrica de papel e antigas construções que apoiavam os que por ali passavam.
O fim do dia se aproximava e ainda tínhamos muito que ver na cidade que fora a entrada dos romanos na península ibérica – visitamos a Torre de Hercules, farol que hoje sinaliza para os navios que ali passam, mas também o Monte San Pedro no alto da montanha com uma vista linda da cidade.
De volta a Santiago, preparamos o dia seguinte, onde visitamos a cidade de Vigo, antiga cidade pesqueira responsável pela criação de mexilhões em várias plataformas marítimas na costa. Claro que sendo algo tao significante para a região, embarcamos numa embarcação do século 19, uma Goleta construída em madeira para navegar pela Ria de Vigo – as rias são uma espécie de “braços de mar” que avançam continente adentro, tornando aquele estuário propicio e rico de características para a fauna marinha.
O dia ainda não tinha terminado – após o almoço seguimos rumo a fronteira portuguesa, para visitar uma das vinícolas boutiques mais icônicas da região, a Quinta Couselo no Rosal. Recebidos pela Mariana, conhecemos a importância daquela Quinta desde o século 12, afinal de contas ele ficava em meio ao caminho das peregrinações que vinham de Portugal e por diversas vezes era usado como parada para os Monges que se deslocavam entre as cortes portuguesas e espanholas, rumo a Santiago.
Ainda explorando as ruinas romanas do século 4, perto dali fomos conhecer os Castros de Santa Trega, antigas construções em pedra que serviu de moradia para os viajantes da época, localizados sob o monte que leva o mesmo nome e com uma vista para o rio Minho e Portugal. Realmente lindo, paisagens únicas que nem mesmo a foto consegue transmitir. Pegamos estrada de volta a Santiago, afinal, no último dia por la, finalmente exploraríamos Santiago,
Claro que por ser a etapa final dos mais de 3 mil peregrinos que fazem o caminho todo mês, a cidade tem uma importância enorme na região, pois reúne um acervo incrível arquitetônico da idade media, bem como um dos santos mais icônicos da religião católica ali sepultado (seus restos mortais).
Renascimento e Barroco
Durante os séculos XVI e XVII, a cidade experimentou um florescimento cultural e artístico. A catedral foi ampliada e adornada em estilo barroco, e Santiago tornou-se um centro de aprendizado e cultura, com a fundação da Universidade de Santiago de Compostela em 1495.
Claro que estando em Santiago não podemos deixar de visitar os telhados da catedral que desde 2021 receberam um reforço estrutural que permite que visitemos a catedral de cima, apreciando suas belas paisagens e a cidade logo abaixo.
Santiago e uma cidade incrivel, cheia de charme, historia mas acima de tudo receptiva. Nao importa a tribo que voce seja, a cidade te espera de bracos abertos. Nao importa sua idade, proposito ou nacionalidade, Compostela estara sempre te esperando para que voce descubra seus rincoes, joias escondidas, cores e sabores, afinal de contas, voce tambem se apaioxonara como eu.
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